quarta-feira, 10 de outubro de 2007

PIZZA DE PROPORÇÕES GIGANTESCAS... UM ESCÂNDALO, NAS BARBAS DOS GAÚCHOS, DEBAIXO DE NOSSO NARIZ.

Ciro Fabres - 10/10/2007
Brasília é aqui
Simplesmente escandalosa a tentativa, que deve prevalecer, de sepultamento da CPI dos Pedágios pela Assembléia Legislativa. Não há outra qualificação possível. Tantas vezes enchemos o peito, nós, gaúchos, para sustentar com dispensável veemência a suposição de que somos melhores e mais éticos do que o restante do país. Sempre se disse por essas bandas, para enfileirarmos argumentos concretos, que nossos partidos políticos são um bom exemplo dessa afirmação, meramente empírica, de que somos vinho de pipa melhor que as demais. Normalmente, são citadas quatro legendas, os casos mais evidentes - PT, PMDB, PP e PTB - para lembrar que nada temos a ver com as turmas de José Dirceu, Renan Calheiros ou Jáder Barbalho, Paulo Maluf ou Severino Cavalcanti e Roberto Jefferson, respectivamente. Do Mampituba para baixo, o papo é outro, gostamos de acreditar. Nem tão outro assim. O que se arma na CPI dos Pedágios, aqui pertinho de nós, na Assembléia Legislativa dos gaúchos, é uma pizza de proporções gigantescas, que em poucos dias será servida. Brasília, tristemente, também é aqui. Brasília das CPIs recentes, que têm frustrado a população, dos cinismos repugnantes, do jeitinho maroto de esconder o indefensável, agora é aqui, em versão gaúcha. Uma vergonha.Não somos melhores nem piores do que ninguém, mas a Assembléia, em especial os integrantes da CPI que estão lá para tapar o sol com a peneira, bem poderia ter coragem de investigar o que se passou desde o início no âmbito da concessão de rodovias. Ainda mais depois de episódios altamente obscuros que clamam por esclarecimentos. Um comunicado de um dos grupos interessado em negociar o controle da concessão que usa como argumento a garantia da prorrogação dos pedágios. Um diálogo gravado que mostra o conselheiro representante das concessionárias na Agergs a garantir que as perguntas da CPI a uma testemunha poderiam ser antecipadas ao sabor da conveniência e dos interesses. Notas frias para justificar despesas. Esforços comoventes do relator Berfran Rosado e parceiros de empreitada para que ex-diretores do Daer no tempo da implantação do atual modelo de pedágio, Eudes Missio e José Luiz Rocha Paiva, não sejam ouvidos pela CPI. Vai ficar tudo por isso mesmo.Um escândalo, nas barbas dos gaúchos, debaixo de nosso nariz.

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