sexta-feira, 1 de junho de 2007

Na Assembléia, há quem diga que Antunes tem interpretado o regimento interno da Casa de forma bastante subjetiva.- Ele está patrolando tudo e todos...


Frederico Antunes (PP)
Foto: Marcos Eifler/AL
Fonte do Texto: Jornal Pioneiro - Stefan Ligocki - 01/06/07
A oposição reage
Um dia após ser derrotada pela base aliada ao governo Yeda Crusius (PSDB) na disputa pela relatoria da CPI dos Pedágios, a oposição juntou os cacos e começou a articular a reação. O contra-ataque à manobra situacionista que garantiu a relatoria da CPI ao deputado Berfran Rosado (PPS) passa pelo fortalecimento da Frente Parlamentar Contra a Prorrogação dos Pedágios. Ontem à noite, uma reunião realizada na Câmara de Vereadores de Caxias projetou as próximas ações da Frente. Com a CPI fragilizada, o objetivo será evitar a aprovação do Duplica RS, programa do governo estadual que prevê melhorias nas estradas gaúchas com a prorrogação das concessões rodoviárias até 2028. Nos bastidores da Assembléia, circula a informação de que o Piratini se entusiasmou com a vitória de quarta-feira na CPI dos Pedágios e que vai enviar o Duplica RS ao Legislativo nos próximos dias. Uma das estratégias para evitar a aprovação do Duplica RS será vitaminar a Frente Parlamentar de Vereadores contra a Prorrogação dos Pedágios, que será lançada no próximo dia 12. A meta é reunir pelo menos 300 vereadores de todo o Estado para pressionar a Assembléia a descartar a prorrogação. A oposição entende que, se a CPI dos Pedágios está condenada, o movimento contra os pedágios privados não está.
Batalha
Apesar de a oposição ter perdido a relatoria, o presidente da CPI dos Pedágios, Gilmar Sossella (PDT), ainda não jogou a toalha. - Perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra ainda - avalia. Para Sossella, a exclusão de Alvaro Boessio (PMDB) da CPI pelo próprio partido foi decisiva para a derrota da oposição.
Vistas
O deputado Francisco Appio (PP) pretende pedir vistas ao texto enviado pelo governo estadual à Assembléia que pede a renovação da permanência de Guilherme Villela no Conselho Superior da Agergs. Appio desconfia que Villela está sendo indicado só por concessionárias de rodovias. Segundo o deputado, empresas de outras áeras deveriam participar da indicação.
Questão de palavra
Eleito vice-presidente da CPI dos Pedágios, Paulo Borges (DEM) foi fundamental para a escolha de Berfran Rosado (PPS) como relator da comissão. Ele é alvo de críticas da oposição por ter mudado de idéia, pois havia se comprometido a votar em Marisa Formolo (PT). Pouco antes da votação, porém, confessou que foi pressionado por seu partido e pelo governo estadual a rever o voto. - Ele mostrou que não cumpre a palavra - reclama Marisa.
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Em tempo: pouco antes de votar em Berfran, Borges reuniu-se a portas fechadas com Frederico Antunes.
Explicações & aumento salarial
Ontem, o presidente da Assembléia, Frederico Antunes (PP), respondeu às críticas sobre a forma como conduziu a instalação da CPI dos Pedágios. O deputado reafirmou que todas as comissões permanentes são instaladas no gabinete da presidência. A versão é contestada pela oposição. Antunes também reclamou de populares que protestaram com cartazes e vaias em frente à sala da presidência, mas não explicou por que a reunião foi realizada a portas fechadas - até a imprensa ficou do lado de fora. Ontem, Antunes adiantou que está negociando com as bancadas um reajuste salarial de 20% aos deputados estaduais, inferior aos 29,8% concedido aos congressistas. O aumento fará com que o salário dos parlamentares gaúchos suba dos atuais R$ 9,5 mil para R$ 11,5 mil. Em época de grave crise financeira do Estado, será um reajuste bastante inoportuno.
Patrola na Assembléia
A oposição deve entregar ao presidente da Assembléia, Frederico Antunes (PP), um documento no qual levanta várias irregularidades que teriam sido cometidas pelo líder da Casa na instalação da CPI dos Pedágios, na quarta-feira. São elas: 1) Normalmente, as CPIs são instaladas no Salão Júlio de Castilhos, e não no gabinete da presidência, a portas fechadas, com acesso proibido à imprensa e à população; 2) Os deputados haviam sido avisados de que a CPI seria instalada no Salão Júlio de Castilhos. Ninguém sabe por qual razão, Antunes ordenou a mudança, meia hora antes da instalação; 3) A instalação da CPI ocorreu na mesma hora da sessão plenária; 4) A eleição e posse do relator da CPI deveria ter sido comandada pelo presidente da comissão, Gilmar Sossella (PDT), e não por Antunes. Nos corredores da Assembléia, há quem diga que Antunes tem interpretado o regimento interno da Casa de forma bastante subjetiva. - Ele está patrolando tudo e todos - diz o assessor de um deputado da oposição.

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